Presidente: Maria Margarida Gomes
- Porto Silvado, visto a partir da Portela.
- Porto Silvado, visto a partir da Portela.

Para além do almoço, todos os que nos acompanharem terão à disposição música para dançar e divertir. No final da tarde haverá também um lanche . - Alguns dos elementos do Soito da Ruiva presentes no piquenique -
Alguns elementos do Grupo de Danças e Cantares do Soito da Ruiva estiveram presentes no almoço do piquenique, dando-nos o prazer da sua companhia.
Seguidamente actuaram para todos os presentes, num ambiente ora alegre ora emotivo, pondo as pessoas mais idosas a acompanhar as suas cantigas.
- Entrada do Grupo de Danças e Cantares do Soito da Ruiva -
A finalizar a festa, realizou-se um peddy paper e entregaram-se os troféus referentes às provas disputadas.
Durante os três dias, uma equipa de fotografia e vídeo fez uma reportagem da festa, com o objectivo de fazer um vídeo para memória futura, acerca do qual daremos algumas informações logo que nos for possível.
Por volta das 10 h, realizou-se a Missa Campal, este ano com o adro coberto, o qe proporcionou a todos os crentes que assistiram aquele acto religioso, maior conforto, até porque estava um dia de calor intenso.
Seguiu-se a Procissão e, a terminar a parte religiosa, efectuou-se o tradicional leilão de ofertas para Nossa Senhora do Carmo.
- O Gabriel -
- Arruada -
A pequena sacristia foi também arranjada e, aproveitando igualmente a espessura das paredes, construiu-se um nicho forrado a pedra de xisto, onde se colocou a imagem antiga de Nossa Senhora do Carmo.

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- Porto Silvado do lado da capela -
- Gonçalo -




- O Exterior -
- O Interior -

- O Gabriel em actuação -
- O actual aspecto do edifício escolar -
- A Cidalina e o Miguel -
- Imagem da Net -
-Imagem da Net -


- Afonso Mendes apaga as velas do seu bolo de aniversário -

Finda a refeição, apareceram na sala da Casa de Convívio algumas pessoas mascaradas seguindo a tradição da nossa aldeia.



A Direcção pretende também relançar o Grupo Desportivo, participando num Torneio e, se possível, organizando também um em Porto Silvado, coincidindo com a festa de Verão.

- Actuação do Grupo de Danças e Cantares de Soito da Ruiva, em Porto Silvado -
2008

Com apenas alguns meses de existência, a actual direcção começou já a trabalhar em força:
- Em Dezembro de 2007, realizou um almoço de Natal visando promover a aproximação dos associados, em especial as crianças a quem distribuíram uma lembrança;
- Prepararam a alteração dos Estatutos;
- Procederam à reforma do ficheiro de sócios, que se encontrava com incorrecções que impediam o bom desempenho da Direcção;
-Estão a preparar a Matança de porco, a realizar por altura do Carnaval;...
-Os três últimos pontos serão postos à aprovação na próxima Assembleia Geral Ordinária, a realizar no próximo dia 20 de Janeiro.
Todos temos obrigação de estar presentes na referida Assembleia, pois esta Direcção é formada por um grupo de jovens cheios de vontade de trabalhar em prol de Porto Silvado e, merecem o apoio de todos nós.




- Mascarados, há alguns anos atrás-
- Imagem retirada da Net -
- Início da Procissão das Velas -
Ao longo do tempo de vida da Comissão de Melhoramentos de Porto Silvado, nunca se viveu um ano como este...
Que se passou com as nossas gentes?
Agora que a aldeia se encontra dotada das infra- estruturas necessárias para que todos possam viver com conforto na nossa pequena povoação, será que os nossos conterrâneos estão a esquecidos das vicissitudes por que passaram na sua juventude?
O certo é que desde Janeiro não tínhamos Corpos Gerentes na Comissão de Melhoramentos.
Até às férias, ia-se comentando o assunto, mas tudo continuava na mesma.
- Um aspecto da Procissão -
No entanto, à medida que a data da festa anual se aproximava, o desalento ia-se manifestando no rosto dos nosso conterrâneos, pois a festa ficaria reduzida à parte religiosa.
Então foi convocada uma Assembleia Geral Extraordinária, para a tarde do dia destinado à parte recreativa.
O Largo da povoação encheu-se e, por entre desabafos, críticas e algum sentimentalismo, lá surgiu uma lista, formada na sua maioria por elementos mais jovens, que se propôs a continuar o trabalho iniciado há mais de 50 anos, pelos seus avós .
Os Corpos Gerentes passaram a ser os seguintes:
ASSEMBLEIA GERAL
Presidente - Armando Marques
1º. Secretário - Tânia Coisinha
2º Secretário - António Moreira
DIRECÇÃO
Presidente - António Oliveira
Vice Presidente - Fernanda Marques
1º Secretário - Elsa Castanheira
2º Secretário - Marco Fonseca
Tesoureiro - Pedro Pereira
1º Vogal - Carla Costa
2º Vogal - João Matos
1º Vogal Suplente - Afonso Mendes
2º Vogal Suplente - José dos Santos Marques
CONSELHO FISCAL
Presidente - João Fonseca
Relator - Paulo Coisinha
Vogal - Carlos Santos
DELEGAÇÃO
Presidente - António Marques
Tesoureiro - José Castanheira
Secretário - Manuel Fonseca
Espero que esta nova equipa consiga atingir os objectivos a que se propuseram e, que todos os associados da nossa Comissão de Melhoramentos os saibam apoiar e incentivar nesta difícil missão que é trabalhar, desinteressadamente, em prol de todos.
Tenho esperança que esta lufada de ar fresco consiga arejar algumas mentes da nossa aldeia , e que Porto Silvado continue a fazer parte das terras mais dinâmicas da nossa freguesia.
ALMOÇO CONVÍVIO DA FAMÍLIA MARTINHO



Este encontro teve origem na ideia de um dos seus elementos, que há tempo manifestara vontade de juntar a família num almoço.
Da ideia secundada depois por outros elementos, nasceu a vontade de alargar o almoço às pessoas que apesar de não terem apelido de Martinho, também pertenciam à família, pois há anos atrás, os filhos nem sempre recebiam o apelido dos pais.
Feita a consulta aos membros mais idosos, e, apesar de algumas pessoas não poderem estar presentes uns por razões de saúde outros por motivos vários, juntaram-se cerca de 90 pessoas, no restaurante Cabrinha 2, no Monte de Caparica.
Viam-se chegar pessoas conhecidas umas das outras mas que não faziam
ideia de pertencer à mesma família.


- Vendo o pequeno álbum de fotografias de família -
Após o almoço não pararam as emoções. Esteve entre nós a actuar graciosamente o Grupo de Danças e Cantares de Soito da Ruiva, cujos elementos são também amigos de alguns Martinhos e que trouxeram à lembrança, de alguns de idade mais avançada, as modas que antigamente cantavam e dançavam na sua aldeia, ao fim de um dia de trabalho muitas vezes penoso.

- O Grupo de Danças e Cantares de Soito da Ruiva em plena actuação -
- Outros dançavam-

- Os Martinhos juntaram-se ao Grupo de Danças e Cantares do Soito da Ruiva, dançando o fado mandado-
- Distribuindo o bolo pelos presentes-
No final do dia, assistimos ao momento mais emocionante e, as lágrimas rolaram pelas faces de alguns presentes, quando um dos netos da tia Deolinda, telefonou para a avó que com a sua maneira de ser sempre alegre, conformada e muito positiva, nos transmitiu a sua mensagem enaltecendo a iniciativa e fazendo votos para que estes encontros familiares continuem e, se possível, possa estar junto de nós no próximo.
Foi também essa a vontade manifestada por todos os presentes e, esperamos ansiosos que a ideia perdure, se possível com todos os elementos que estiveram presentes e mais alguns que se nos possam juntar que demonstraram pena por não poderem estar junto de nós.


Tem sido feita alguma pesquisa junto das pessoas mais antigas da terra e uma recolha de fotografias de habitantes da povoação e das actividades que desenvolviam ao longo do ano .
É muito pouco o que conhecemos, mas gostaríamos de aprofundar mais esses conhecimentos. Para tal, contamos com a ajuda de quem queira partilhar connosco as suas vivências ou aquilo que vão sabendo através dos seus familiares mais idosos.
- Vista Parcial Actual -
Todos os que quiserem colaborar poderão fazê-lo através do e-mail: lourdesmartinho@gmail.com
Tudo o que formos conhecendo iremos divulgar neste espaço e informaremos regularmente sobre os acontecimentos futuros relacionados com a povoação.
Agradecemos a vossa colaboração.
Obrigados

- Porto Silvado, no Concelho de Arganil -
Porto Silvado é uma pequena povoação que pertence à freguesia de Pomares, concelho de Arganil, distrito e diocese de Coimbra.
- Vista Aérea do Porto Silvado -
As povoações mais próximas são: Vale do Torno, Gramaça, Sobral Magro e Barroja.
Esta aldeia que se ergue encravada entre duas colinas das encostas montanhosas da serra do Açor, encontra-se a uma altitude de 935 m. 
- Porto Silvado na Serra do Açor-
Para chegar a Porto Silvado tem que se percorrer uma estrada estreita e sinuosa, contornando outeiros e valeiros pela encosta acima.
As boas vindas à aldeia são-nos dadas por Nª. Sra. do Carmo, padroeira da povoação, cuja capelinha se avista de longe.
A povoação surge finalmente rodeada de cômbaros (cômoros), outrora cultivados.
Logo à entrada a Cancelinha e o Largo abrem-nos as portas da povoação.

Dum lado ficam a Capela, o Cortelho, o Portal da Várzea e o Forno.
Do outro, o Penedinho, a Escola, o Terreiro e as Quelhadas. 
Em frente a Trepadinha avistando -se lá ao alto a Gramaça.
Nas barrocas, correm os regatos de água das nascentes que, no Verão, saciam a sede das pessoas e dos campos.
No cume do monte do Colcurinho, avista-se a capelinha da Nossa Sra. das Necessidades, a quem os naturais da nossa terra se dirigem em momentos de aflição, fazendo promessas que depois cumprem religiosamente.
- Grupo junto à Capela de Nª. Sra. das Necessidades -
- Tirando as cabras do curral -
Por volta das 8-9 horas o apetite já era bastante e então iam almoçar.
Voltavam depois para as fazendas onde continuavam a trabalhar conforme a época do ano. Regressavam ao meio dia para o jantar.
De seguida , aproveitavam a hora de maior calor para descansarem, dormirem a sesta, ou fazerem outros trabalhos em casa.
- O descanso da tarde -
Às vezes juntavam-se no Largo, onde jogavam chinquilho, ou às cartas ou simplesmente conversavam.
As mulheres lavavam roupa na barroca, remendavam algum rasgão ou faziam renda.
Usavam o sabão azul e branco, faziam a barrela ou punham a roupa a corar para ficar mais branca e sem nódoas. 
- Lavando a roupa na barroca-
Após a merenda, seguiam de novo para as fazendas, onde os trabalhos continuavam até ao anoitecer. Quando regressavam a casa, ainda traziam um molho de lenha.
Enquanto as mulheres preparavam a ceia, as raparigas e crianças carregavam água. Antigamente do Buraquinho e mais tarde da fonte.
O Buraquinho -
Chegava então a hora da ceia a que se seguia o serão. Algumas mulheres dobavam tecidos velhos para fazerem as mantas de fitas; os mais pequenos faziam os trabalhos da escola. As pessoas que sabiam ler e escrever aproveitavam para escrever cartas aos seus familiares ou aos namorados. Aqueles que não sabiam ler recorriam a um familiar ou vizinho, para o fazerem.
No Inverno, o trabalho era mais leve, mas ainda havia que apanhar a azeitona, podar e atar as videiras,....
Nesta época do ano as pessoas descansavam um pouco mais.
Há anos atrás, alguns naturais da nossa terra trabalharam também na produção de carvão, na construção de casas, de estradas e a apanhar minério. Havia alguns que iam para a borda d'água trabalhar, para ganharem algum dinheiro.
Na povoação, existiu em tempos uma pequena loja. O dono duma das lojas de Sobral Magro pôs alguns produtos de maior necessidade numa casa em Porto Silvado e deslocava-se lá determinados dias da semana para que as pessoas se pudessem abastecer. No entanto, este estabelecimento durou pouco tempo e os portossilvadenses tinham que se abastecer nas lojas da Gramaça, Vale de Maceira, Sobral Magro e Pomares, ou então nas feiras.
Em casa da tia Belmira, foi colocado a partir de determinada altura o telefone público, que foi mudando de local até à construção da actual cabina existente no Largo.
O carteiro, que todos os dias transportava a correspondência das povoações situadas entre Pomares e o Piódão, deixava a da nossa povoação em casa do Sr. José dos Santos , onde depois as pessoas a iam buscar.
Porto Silvado fica situado numa zona bastante acidentada difícil de amanhar e os seus habitantes dedicaram-se, ao longo dos tempos, à agricultura de subsistência. Nas encostas da serra formaram-se socalcos, os cômbaros . Duns para os outros passavam por estreitas escadas de pedra.
- Os Cômbaros -
Das nascentes, levavam a água para os terrenos de cultivo através de levadas que, antes do Verão, eram limpas para não desperdiçarem muita água. Cada família regava o tempo destinado a cada propriedade.
Nalguns locais abriram-se minas para captar mais água que no Verão escasseava; nas barrocas construíram-se poças para juntarem a pouca água que nelas corria para depois regarem os terrenos.
Cultivavam o milho, o feijão, as batatas, as hortaliças. A videira e a oliveira eram também tratadas porque delas faziam mais tarde o vinho e o azeite.
Os produtos que colhiam e os utensílios que utilizavam no trabalho do campo eram guardados nas palheiras ou nas lojas da casa de habitação.
Usavam-se o sacho, a sachola, a enxada, o ancinho, a forquilha, a gadanha , a foice, o foição, as sacas, as cestas, os cestos, o alqueire,...
Os trabalhos agrícolas faziam-se de sol a sol e só no Inverno o trabalho era mais leve.
As actividades agrícolas iniciavam-se com a cava dos terrenos.
Homens e mulheres cavavam as terras, num trabalho difícil e moroso. Adubavam-nas com o esterco que tiravam dos currais dos animais.
Ajudavam-se uns aos outros. Um dia ajudavam o vizinho que depois os ajudava também.
Chegada a Primavera, semeavam-se o milho, o feijão, as batatas. ..
- Cavadores no trabalho- 

- O Forno, actualmente a servir de Museu -
DA VIDEIRA AO VINHO
Nas extremidades dos cômbaros havia sempre uma fila de videiras e, por vezes, à porta das casas ou das palheiras havia latadas .
As videiras, no Inverno eram podadas e atadas. Mais tarde, já com folhas eram tratadas com sulfato e enxofre, para prevenir as pragas que normalmente as atacavam e estragavam a produção. 
- Pronto para deitar o sulfate nas videiras-
Durante o Verão eram esparradas para os cachos amadurecerem melhor.
Chegada a época das vindimas, as uvas eram cortadas e levadas em cestas para as lojas.
Aí, eram colocadas em dornas ou em celhas e eram pisadas por um ou mais homens.
- Pisando as Uvas -
- Um Alambique -
DA OLIVEIRA AO AZEITE
Todas as famílias tinham as suas oliveiras que tratavam para poderem produzir o azeite de que necessitavam, não só para a sua alimentação como também para alimentarem as candeias e lanternas.
Antes do Inverno, apanhavam a azeitona e levavam-na em sacas para o lagar onde era moída nas galgas e espremida nas ceiras até o líquido resultante, o azeite, escorrer para as pias. Após a lavagem era deitado para dentro de ôdres e levado para as lojas e para ser guardado nas pias de azeite.
- As Azeitonas -


- As Cabras -
Em todas as casas criava-se o porco.
Numa das feiras da região, comprava-se um porco ainda pequeno e traziam-no a pé até à povoação. Depois os animais eram alimentados com as botelhas e lavagens. Estas eram cozinhadas nos caldeiros e ferradas que eram depois despejados nas pias de granito ou madeira que existiam na loja onde viviam.
Alguns viravam a pia com a lavagem e esfoçavam as paredes dos currais e os donos tinham que lhes colocar um arganel preso no nariz.
Os animais eram engordados ao longo do ano e depois eram mortos, no tempo mais frio. Juntavam-se alguns familiares e amigos que ajudavam na matança e na preparação e conservação da carne.

- O porco acabado de matar -
Alguns homens seguravam o porco deitado num banco próprio (o banco dos porcos), enquanto um outro o matava. As mulheres aproveitavam o sangue que escorria para um alguidar de barro e, de seguida, iam cozer algum e arranjar outro para se conservar para fazer os enchidos.
De seguida, o porco era chamuscado com carquejas em chama, bem lavado e pendurado pelas patas traseiras no chambaril. Era aberto e separavam-se as carnes.
- O Sangue já preparado -
Umas eram preparadas para serem consumidas ao longo do ano. Tudo era aproveitado. As mulheres iam para a ribeira lavar as tripas para se fazerem os chouriços. Temperavam as carnes que ficavam a marinar para no dia seguinte, encherem, as tripas já lavadas: chouriços de carne, de sangue, bofes, farinheiras, cagueiras,... Depois de prontos eram postos a secar no fumeiro e mais tarde colocavam-se nas talhas em azeite.
Fritavam-se os tostelos e o lombo. Deitavam-se também em talhas cobertas com a banha produzida pela gordura do próprio porco, para se conservarem durante muito tempo sem se estragarem.
Os presuntos, as pás, as patas, orelhas , toucinho e outras partes do porco iam para a salgadeira, onde permaneciam cobertos de sal o tempo suficiente para não se estragarem.
Os presuntos e as pás, ao fim de algum tempo, eram lavados, pendurados a secar e, às vezes, eram barrados com azeite e colorau.
O MEL
Alguns naturais de Porto Silvado, tinham cortiços espalhados pelo mato onde as abelhas procuravam as substâncias com que produziam o mel.
No Verão, procedia-se à cresta dos cortiços. Extraía-se os favos dos cortiços e espremiam-se com as mãos por entre algumas picadelas de abelhas.
O mel era usado com fins terapêuticos e também para barrar no pão.
Actualmente, alguns dos apicultores da terra passaram a usar as colmeias que permitem um melhor aproveitamento do mel que as abelhas produzem.

- Um Apicultor -



- Um quarto -
A divisão mais importante da casa era a cozinha funda, isto é, a parte onde se fazia o lume ficava abaixo do sobrado do resto da casa. Era separada das lajes pelo caniço, onde era costume secarem as castanhas. Do tecto pendiam as correntes onde se suspendiam as panelas de ferro, os caldeiros de cozinhar para o porco, ou as caldeiras de cobre onde se faziam os torresmos. Havia também as trempes onde se cozinhava com os tachos ou sertãs que não se podiam pendurar. Do tecto pendia também o fumeiro, onde eram colocados os enchidos a secar, após a matança do porco. O sobrado, um pouco mais elevado, servia de banco, onde as pessoas se sentavam à volta da fogueira. Na cozinha havia uma pequena mesa encostada à parede e presa com um cravelho para não ocupar muito espaço e só se baixava quando necessário. Havia também uma cantareira que era um móvel onde era guardada a loiça ( bacias, malgas, pratos, púcaros,...). Na parte inferior, havia um local adaptado ao cântaro da água.
Em todas as cozinhas havia também a tripeça que servia de mesa e onde era colocada a bacia com os alimentos de onde comia a família inteira.

- Peças de loiça -
Podia também encontrar-se na cozinha, um alguidar de folha que servia para tomar banho e também um lavatório com bacia, balde e o jarro da água. Como não havia saneamento, as águas eram lançadas numa estrumada, num quintal ou na rua.
Também não havia electricidade e, à noite para iluminar a casa usava-se uma candeia ou uma lanterna alimentada por azeite . Mais tarde, passaram a usar-se os candeeiros de folha (os piretas), e os candeeiros de vidro a petróleo. Vieram depois os petromax e também os candeeiros a gás.
- A Candeia -



- Os Coscoréis -

-Fato de Trabalho -
AS MULHERES

- Trabalhadores na Muralha ( Porto de Lisboa) -
Era normal encontrarem-se nas tabernas, onde conversavam, jogavam às cartas e bebiam uns copos.
De vez em quando apareciam alguns tocadores de concertinas, violas e guitarras e, da Calçada dos Cesteiros fazia-se uma tocadeira que, em dias de feira da Ladra, a percorriam tocando e cantando as músicas da sua terra. De vez em quando, iam até à terra ajudar as mulheres nos trabalhos agrícolas. Arranjavam um cesto com a bucha, um garrafão de vinho, a mala com a pouca roupa que tinham, pegavam na viola ou na concertina e lá iam apanhar o combio a Santa Apolónia.
Para afastar a ansiedade do reencontro com as famílias, tocavam e cantavam.
Outras vezes bebiam um copo de vinho e comiam um pedaço de presunto ou chouriço da bucha.

- A Caminho da Terra -
Em Coimbra apanhavam a camioneta que os conduzia até Pomares onde as famílias os esperavam para transportarem os carregos que traziam. Faziam-no a pé e carregavam a bagagem à cabeça, enquanto iam contando as novidades uns aos outros.
Após a fundação da Comissão de Melhoramentos, organizaram-se várias festas em Lisboa (na Sociedade 1º de Dezembro, Casa da Comarca de Arganil, Mirantense) onde os portossilvadenses se encontravam, confraternizavam e colaboravam em leilões de alguns produtos vindos de Porto Silvado para serem leiloados e que se destinavam a arranjar dinheiro para custear as obras mais necessárias na povoação.
Os tempos livres dos habitantes da nossa povoação era passado de diversas formas. Os homens jogavam o chinquilho; os rapazes jogavam o pião ou com uma bola feita de trapos; as raparigas brincavam com bonecas feitas de restos de tecidos e as mulheres faziam rendas ou dobavam tiras de tecido velho para fazer mantas fitas.
Muitas vezes, juntavam-se nalgum local e cantavam e dançavam cantigas de roda. Outras vezes dançavam ao som da flaita, do harmónio ou da concertina.

- Grupo do Sobral Magro que veio à festa -
Eram também frequentes as arruadas. Os tocadores e cantadores da terra juntavam-se e andavam de adega em adega tocando e cantando ao desafio enquanto provavam o vinho e petiscavam umas tiras de bacalhau salgado, uma salada de atum ou sardinhas de conserva com cebola, ou umas fatias de presunto.
Chegado o Verão, os habitantes da nossa terra iam às festas das terras vizinhas. Nesses dias afinavam os seus instrumentos, juntavam-se e lá se deslocavam cantando e dançando. Alguns deles chegaram a arranjar casamento nessas terras onde iam às festas.
- Raparigas dançando -
Em Pomares, sede da Freguesia, havia também festas a que não se podia faltar: a festa do Santíssimo, onde as crianças iam fazer a primeira Comunhão, a festa de Nossa Senhora de Fátima e a festa Rouxinóis de Pomares. Nesses dias, ali se deslocavam os naturais de todas as terras da freguesia.
No Vale de Maceira realizava-se a festa mais desejada por todos. Era a Romagem.
Nesse dia, todos arranjavam uma boa merenda, vestiam o seu melhor fato e lá seguiam a caminho do Vale de Maceira, levando como sempre as concertinas, violas e guitarras.
Ali acorria gente vinda dos mais diversos locais do país.
Havia tendas onde se vendiam diversos produtos e barraquinhas de comes e bebes.
Por todo o lado se faziam bailaricos. Arranjvam-se namoricos.
Havia Missa e Procissão. Cumpriam-se promessas...
Na última 4ª Feira de cada mês ia-se à feira de Avô e enquanto ela se realizou, iam também à feira de Pomares .
Dias de animação eram também aqueles em que se realizava algum casamento.
Antigamente eram realizados em Pomares, mas mais tarde passaram a realizar-se na nossa capela.
O banquete era servido normalmente em casa da noiva. Começava na véspera do casamento e prolongava-se durante vários dias.
Os pais dos noivos matavam cabras, ovelhas, galinhas e coelhos que criavam e faziam os doces tradicionais da região.
- Banquete de um casamento em Porto Silvado -
Mas a saúde às vezes pregava partidas e os portossilvadenses recorriam a várias estratégias.
Recorriam a remédios caseiros. O chá de erva cidreira tratava problemas digestivos, o chá de tília era bom para os nervos, o chá de limão com mel e bagaço era remédio santo para as constipações,...
Para outros males recorriam a rezas que foram passando de geração em geração. Havia rezas para o mau olhado, para o cobrão, entorses, erguer a espinhela,...
Quando o caso era mais difícil recorriam ao barbeiro do Piódão, ou ao endireita.
Só em casos especiais recorriam ao Dr. Vasco de Avô, que montado na sua mula, lá ia tratar as maleitas, muitas vezes a troco duma galinha ou de um cabrito, porque em alguns casos não havia dinheiro para pagar a consulta.
Em caso de grande aflição, invocavam-se os poderes divinos. Faziam promessas; umas vezes aos Santos da terra, outras à Senhora Nossa Senhora das Necessidades ( Colcurinho), à Nossa Senhora das Preces (Vale de Maceira), à Nossa Senhora do Montalto (Arganil) ...
Essas promessas eram feitas umas vezes em géneros outras em romarias (três voltas dadas à capela) e, quando atendidas, eram cumpridas logo que pudessem.
Em último recurso, algumas pessoas recorriam mesmo à bruxa.


- O Baile -
Ao longo dos tempos, o programa da festa sofreu algumas modificações e do lado tradicional já pouco existe.
O ciclo estabelecido para nomeação de mordomos foi interrompido, por várias promessas feitas por portossilvadenses que , em alguns anos , se propuseram a organizar os festejos.
Em 1992, formou-se um grupo de jovens que passou a dinamizar a festa e outros eventos para unir mais os portossilvadenses ao longo do ano.
Foram feitos vários passeios, jantares/convívio, noite de fados, venda de artesanato feito por naturais da terra, exposições de fotografias,...
No entanto, o grupo a extinguir-se mais tarde e actualmente, é a Direcção da Comissão de Melhoramentos que tem tido a seu cargo a realização dos festejos.

- Peças de Artesanato -
A partir de determinada altura, a festa passou a contar com a ajuda duma aparelhagem sonora que chegava na véspera da festa.
Funcionava com energia produzida por um gerador que alimentava também a iluminação do largo e da rua principal. Era a única altura em que a povoação tinha luz eléctrica.
O programa da festa foi-se tornando mais extenso e variado . A festa passou a realizar-se de Sexta Feira a Domingo começando com uma arruada/peditório de ofertas para leiloar no dia seguinte.
À noite, passou a realizar-se a Procissão das Velas e, em alguns anos de maior poder económico, havia baile abrilhantado por um Conjunto(o que já não acontece na actualidade).
No Sábado de manhã continuou a realizar-se a parte religiosa da festa, mas há alguns anos atrás começou a fazer-se uma Procissão pela rua principal da povoação e por essa razão passaram a enfeitar-se também os andores dos Santos; as crianças vestiam os fatos da Cruzada e o mordomo usava uma opa.
- Crianças vestidas com capa da Cruzada -
Nas janelas das casas eram colocadas as melhores colchas que cada habitante possuía e enquanto passava a Procissão papelinhos feitos das cartas recebidas ao longo do ano, ou pétalas de flores eram lançados das janelas sobre os andores e participantes da Procissão.
A Filarmónica de Pomares abrilhantava a parte religiosa e a tarde da festa.
Mais tarde, a tarde passou a ser ocupada com provas desportivas (corridas, gincanas,...)
- Participantes na Gincana -
A aparelhagem e os tocadores da terra deram lugar aos conjuntos que passaram a animar os bailes.
No Domingo de manhã, passou a realizar-se um jogo de futebol em Pomares e de tarde realizavam-se mais provas desportivas: sueca, chinquilho,...

- Equipa de futebol em Pomares -
À noite a última refeição passou a ser confeccionada e servida no Largo sob a forma de piquenique.
As mulheres e raparigas descascavam e coziam as batatas e faziam caldo verde enquanto os homens acendiam as brasas e assavam sardinhas que depois eram comidas em grande confraternização.
Acabado o piquenique, o Conjunto animava mais uma vez a parte final da festa e distribuíam-se os prémios correspondentes às provas desportivas realizadas.
Actualmente, o piquenique efectua-se logo a seguir ao jogo de futebol que já se realiza no ringue da povoação.
Após o piquenique termina a festa, mas a animação e convívio continuam até ao final das férias..
- Grupo participando no piquenique (Noite) -

Como uma vida tão difícil, os naturais desta região começaram a sentir necessidade de melhorar as suas condições de vida.
A Câmara Municipal e a Junta de Freguesia não tinham capacidade financeira para custear as obras necessárias ao desenvolvimento de cada povoação. Por essa razão, em muitas povoações as pessoas organizaram-se e formaram Ligas e Comissões de Melhoramentos.
A 5 de Fevereiro de 1952, um grupo de portossilvadenses e amigos fundaram a Comissão de Melhoramentos de Porto Silvado. A partir daí, iniciou-se uma luta conjunta de toda a povoação para conseguirem uma vida melhor na sua aldeia.
Algumas das obras foram:
Estradas, Chafariz, Cobertura de Barrocas, Lavadouro, Escola, Largos, Electricidade, Casa de Convívio, Cabine Telefónica, Esgotos, Palco, Represa, Ringue Desportivo,...
- A Fonte e a Escola -
Algumas destas obras foram totalmente custeadas pelos habitantes da povoação, outras contaram com a ajuda da Autarquia e outras ainda com a ajuda dos Serviços Florestais e Conselho Directivo dos Compartes de Porto Silvado.
- A Casa de Convívio e a Arrecadação -
- Vista panorâmica de Porto Silvado -
- A Represa e o moinho -
Junto à represa existe um dos moinhos onde antigamente era moído o milho.
Existe também na povoação um forno comunitário onde pode ver algumas peças que eram usadas antigamente no fabrico do pão.
No adro da capela há um miradouro, de onde se pode apreciar uma das belas paisagens da serra do Açor, avistando-se também algumas das povoações vizinhas.
Próximo de Porto Silvado, pode o turista visitar outros locais de grande beleza, tanto do concelho de Arganil, como do de Oliveira do Hospital, que começa logo a seguir à povoação a caminho da Gramaça.
Alguns são:
- A Capelinha de Nª. Sra. das Necessidades;
- O Piódão;
- A Mata da Margaraça;
- A Fraga da Pena;
- O Santuário de Nª. Sra. das Preces;
- O Parque envolvente ao Santuário e respectivas capelinhas;
- A vila, igreja e ruínas de castelo de Avô;
- A Igreja de Pomares;
- O Parque de Campismo e Piscina Fluvial;...