Todas as famílias tinham um rebanho de cabras e ovelhas, um ou dois porcos, galinhas e coelhos.
Quanto mais animais possuíssem, mais possibilidades tinham para fazer queijos, vender as crias e produzir esterco (estrume) para fertilizar as terras de cultivo.

Logo de manhã, homens e mulheres de corda, podão e saca às costas lá iam roçar o mato, levando consigo o seu rebanho. Muitas vezes o mato escasseava e tinham que ir para bastante longe.
De seguida, ordenhavam as cabras e ovelhas. Juntavam coalho ou o cardo no leite para mais tarde as mulheres fazerem o delicioso queijo da nossa região.
Parte do queijo era consumido pela família, outra parte era guardado e, mais tarde, serviria para dar aos visitantes que apareciam ou aos trabalhadores que por vezes os ajudavam. Algumas famílias ainda iam de terra em terra, para vender alguns e ganhavam assim algum dinheiro.

- As Cabras -
Em todas as casas criava-se o porco.
Numa das feiras da região, comprava-se um porco ainda pequeno e traziam-no a pé até à povoação. Depois os animais eram alimentados com as botelhas e lavagens. Estas eram cozinhadas nos caldeiros e ferradas que eram depois despejados nas pias de granito ou madeira que existiam na loja onde viviam.
Alguns viravam a pia com a lavagem e esfoçavam as paredes dos currais e os donos tinham que lhes colocar um arganel preso no nariz.
Os animais eram engordados ao longo do ano e depois eram mortos, no tempo mais frio. Juntavam-se alguns familiares e amigos que ajudavam na matança e na preparação e conservação da carne.

- O porco acabado de matar -
Alguns homens seguravam o porco deitado num banco próprio (o banco dos porcos), enquanto um outro o matava. As mulheres aproveitavam o sangue que escorria para um alguidar de barro e, de seguida, iam cozer algum e arranjar outro para se conservar para fazer os enchidos.
De seguida, o porco era chamuscado com carquejas em chama, bem lavado e pendurado pelas patas traseiras no chambaril. Era aberto e separavam-se as carnes.
- O Sangue já preparado -
Umas eram preparadas para serem consumidas ao longo do ano. Tudo era aproveitado. As mulheres iam para a ribeira lavar as tripas para se fazerem os chouriços. Temperavam as carnes que ficavam a marinar para no dia seguinte, encherem, as tripas já lavadas: chouriços de carne, de sangue, bofes, farinheiras, cagueiras,... Depois de prontos eram postos a secar no fumeiro e mais tarde colocavam-se nas talhas em azeite.
Fritavam-se os tostelos e o lombo. Deitavam-se também em talhas cobertas com a banha produzida pela gordura do próprio porco, para se conservarem durante muito tempo sem se estragarem.
Os presuntos, as pás, as patas, orelhas , toucinho e outras partes do porco iam para a salgadeira, onde permaneciam cobertos de sal o tempo suficiente para não se estragarem.
Os presuntos e as pás, ao fim de algum tempo, eram lavados, pendurados a secar e, às vezes, eram barrados com azeite e colorau.
O MEL
Alguns naturais de Porto Silvado, tinham cortiços espalhados pelo mato onde as abelhas procuravam as substâncias com que produziam o mel.
No Verão, procedia-se à cresta dos cortiços. Extraía-se os favos dos cortiços e espremiam-se com as mãos por entre algumas picadelas de abelhas.
O mel era usado com fins terapêuticos e também para barrar no pão.
Actualmente, alguns dos apicultores da terra passaram a usar as colmeias que permitem um melhor aproveitamento do mel que as abelhas produzem.

- Um Apicultor -

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