30 Março 2006

MIGRAÇÕES



As condições de subsistência em Porto Silvado eram duras e penosas, o que levou alguns dos seus habitantes a procurar uma vida melhor noutros locais. Uns influenciaram os outros e, aos poucos, os homens migraram na sua maioria para Lisboa. Primeiro partiram os homens, deixando na aldeia as mulheres e os filhos. Estes amanhavam as terras enquanto os homens tentavam, longe da sua terra, encontrar um modo de vida que lhes permitisse olhar com mais desafogo os dias de velhice. Mais tarde, partiram também algumas mulheres com os filhos. Em Lisboa viviam em quartos ou partes de casa alugadas, que partilhavam com uma ou mais famílias. Grande parte trabalhava no porto de Lisboa mas alguns aventuraram-se e tiveram o seu próprio negócio em pastelarias, táxis, ....
O local onde se podia encontrar a maior colónia de portossilvadenses era num bairro junto à estação dos Caminhos de Ferro.


- Trabalhadores na Muralha ( Porto de Lisboa) -


Era normal encontrarem-se nas tabernas, onde conversavam, jogavam às cartas e bebiam uns copos.

De vez em quando apareciam alguns tocadores de concertinas, violas e guitarras e, da Calçada dos Cesteiros fazia-se uma tocadeira que, em dias de feira da Ladra, a percorriam tocando e cantando as músicas da sua terra. De vez em quando, iam até à terra ajudar as mulheres nos trabalhos agrí­colas. Arranjavam um cesto com a bucha, um garrafão de vinho, a mala com a pouca roupa que tinham, pegavam na viola ou na concertina e lá iam apanhar o combio a Santa Apolónia.

Para afastar a ansiedade do reencontro com as famí­lias, tocavam e cantavam.

Outras vezes bebiam um copo de vinho e comiam um pedaço de presunto ou chouriço da bucha.


- A Caminho da Terra -


Em Coimbra apanhavam a camioneta que os conduzia até Pomares onde as famílias os esperavam para transportarem os carregos que traziam. Faziam-no a pé e carregavam a bagagem à cabeça, enquanto iam contando as novidades uns aos outros.

Após a fundação da Comissão de Melhoramentos, organizaram-se várias festas em Lisboa (na Sociedade 1º de Dezembro, Casa da Comarca de Arganil, Mirantense) onde os portossilvadenses se encontravam, confraternizavam e colaboravam em leilões de alguns produtos vindos de Porto Silvado para serem leiloados e que se destinavam a arranjar dinheiro para custear as obras mais necessárias na povoação.